Temor

Muito me impressiona a falta de discernimento de grande parte das pessoas, principalmente quando estas estão imersas em sua fé religiosa. Não cabe a mim julgar nenhum tipo de crença. Longe disso. Cada um tem o direito e a liberdade de escolha para tal. O que me incomoda mesmo é a cara de pau que alguns líderes tem em proferir mentiras deslavadas para disfarçar seus erros. O teto da igreja caiu? Peritos apontam erro estruturais e obras não regulamentadas. Ponto. Os responsáveis por aquela igreja não cumpriram com o compromisso mínimo de prover segurança aos que lá frequentam. Isso é inquestionável. O vereador Carlos Apolinário (também pastor) disse para os fiéis denunciarem estabelecimentos sem alvará. Ele diz que a prefeitura está apenas fiscalizando os templos e a isso intitula “perseguição”. É certo que esse acidente evidenciou ainda mais a falta de segurança dessas construções, porém, é abusar da inteligência das pessoas chamar isso de perseguição. Oras, se tudo estivesse dentro da lei, com a documentação em dia e os padrões de segurança em ordem, porque temer a dura fiscalização? A prefeitura falhou na fiscalização? Cobrar dela é dever de todo cidadão porém,  maquiar sua situação apontando o dedo para o outro é no mínimo uma atitude nojenta. Alias, descontar a culpa em laranjas parece ser especialidade deles mesmo se tratando de um laranja fictício. Para o bispo Hernandez, fundador da Renascer, o diabo é responsável por esse infortúnio. Logicamente, os laudos de problemas estruturais e as reformas indevidas são apenas uma maneira que o coisa-ruim conseguiu para botar todos contra ele. A prisão do próprio foi armada, afinal, que mal tem em desafiar a lei de outro país? E é mesmo muito lógico pregar voto de pobreza e viver na bonança não é mesmo? Mas nada disso importa muito, afinal, o travesseiro de todo mundo é testemunha de sua consciência.

A cara dela

Desde o ano 2000, e da famosa “bolha”, nunca se viu um crescimento tão grande de agências digitais. Todas se expremendo por um lugar ao sol nas areias do mercado de comunicação. Contudo, muitas delas foram criadas na euforia do momento por gente despreparada para ocupar o posto de liderança e organização empresarial.  O sucesso de suas carreiras profissionais não conta muito quando a falta de habilidade em dirigir uma instituição e a falta de tato em lidar com pessoas fala mais alto. E, não por acaso, dizem que as empresas são a cara de seus donos. Ano passado estive em uma dessas “agêncinhas”. Passei 6 meses fazendo trabalhos irrelevantes e muito inferiores ao que eu tinha sido contratada. Logicamente não sou dessas estrelas que se recusam a pegar o osso, mas acredito que é uma grande burrice pagar um profissional mais qualificado para fazer um trabalho que poderia ser feito por um iniciante, e por bem menos. Tamanha falta de organização comprovada quando me propus a ficar até o final do mês após pedir demissão e passei exatos 15 dias sem trabalho algum enquanto outros funcionários (colaboradores no jargão de quem não paga CLT) ficavam até altas horas na labuta. É a prova de que bons contatos e clientes de porte não são fatores exclusivos para o crescimento de uma empresa. Eu realmente gostaria de saber a primeira impressão desses clientes, ao notarem pela primeira vez o ambiente escuro, o teto cheio de infiltrações e a falta de uma recepcionista. O que dizer de cargos inventados para acomodar cabides de emprego? E da falta de um profissional de planejamento, essencial em qualquer agência de publicidade? Mas, de todas essas coisas, o que mais impressiona é o descaso da dona que não me dirigiu uma palavra sequer após ser informada sobre minha saida. Ela mesmo que, numa total falta de noção empresarial, culpa a equipe por email pela perda de projetos e ainda cita valores de faturamente perdido pelas requeridas perdas. Realmente, essa empresa era a cara dela.

Conto I

Hoje ele chega tarde da noite, após um interminável dia de trabalho. Pode-se dizer que é um típico workaholic, mas algo mais motiva suas horas a mais no escritório além da recente promoção. Em casa, na paz da noite, toma um longo gole d’água, um banho morno, veste roupas surradas de durmir e entra em seu quarto, onde ela respira fundo em seu sono pesado. Dorme pouco, mas o suficiente para sonhos longos. Mal pode esperar pelo próximo dia, onde, mesmo perto dali, estará distante da rotina e das inquetações da moça que agora repousa ao seu lado. Aos poucos desenhou estratégias para deixar a vida um pouco menos insuportável. Deixa o celular em casa, afim de acabar com a enorme insegurança da esposa. Aparelho este que também não é mais útil, já que sai para beber nas sextas com os amigos do próprio trabalho. Nos fins de semana, quando não são ocupados com horas-extras, a agenda é quase que exclusivamente voltada para os filhos. Uma espécie de compensação por sua ausência nos dias úteis. E são esses momentos que o fazem acreditar que ele é um cara feliz, e toda aquela ladainha de que a vida as vezes pode valer a pena.  Infelizmente, contos de fadas só fazem sentido para elas, as crianças. Quando elas dormem ele ainda está acordado, na cama e sem sono. E o silêncio da noite é um resumo perfeito da sua história com ela, presos um ao outro, pelo menos até o dia que as crianças crescerem.

De volta

Faz tempo que não apareço. Engraçado que vez ou outra algum ilustre desconhecido aparece por aqui para comentar algum antigo post esquecido nas cinzas. Um dos comentários foi sobre o texto Copiou?. Respondendo ao querido internauta: Sim, estou insinuando que a produtora copiou a tipografia (esse é o nome para designar a “letra”) criada por Gustavo. Pelo seu comentário, é provável que você esteja muito pouco habituado com o os processos de trabalho de um designer. Não vou perder meu tempo explicando, afinal, isso é assunto para muitos volumes de livros. Toda criação envolve pesquisa e estudo de um repertório que já existe, do contrário, nada se cria. Copiou?

Rídiculas cartas de amor

Wordle é um divertido gerador de “nuvens de tags“. Na prática funciona assim: você cola um texto ou um link e o programa cria uma nuvem de tags com aquele conteúdo. O ponto alto da ferramenta é que dá para customizar a disposição dessa nuvem alterando fonte, cores e tipo de layout. O resultado tem um pouco da estética de poesia concreta e pode gerar resultados interessantes dependo do texto indexado.

Fiz uma experiência com a poesia Todas as Cartas de Amor são Ridículas de Álvaro de Campos e o resultado pode ser visto logo abaixo:

Dica vista no blog telescOpica.

Arte?

Perfeito.

Inacreditável

coleção playmobil escola

coleção playmobil escola

O novo filme da boticário convida o telespectador a imaginar um mundo sem “beleza”.  Nele, mulheres uniformizadas mantém o mesmo corte de cabelo e cortam os saltos de todos os sapatos femininos existentes – um verdadeiro manifesto “anti-fashion”. A direção de arte capricha nos tons pastéis ressaltando a idéia de um mundo sem vida. Mas uma das moças não se conforma com tudo isso e, em um sotão abandonado, encontra um batom vermelho vivo da marca do anunciante, e sai as ruas exibindo seus lábios coloridos.

Acredite na beleza é mote da campanha. Mas afinal, de que beleza estamos falando? Se for aquela que estampa os milhares de anúncios publicitários talvez a multidão de mulheres iguais se repita. Talvez seja aquela da Revista Nova, ou do seriado Sex And City, onde a mulher não é nada sem seu sapato e sua bolsa – combinando um com o outro.

Eu poderia até escrever aqui um discursso inflamado sobre essa maldita estética engessada que a mídia insiste em promover. Mas ultimamente publicidade é um assunto que tem me dado bastante preguiça. Então curta bastante sua beleza e saiba que ela não está em nenhum vidrinho de cosméticos.