Fábulas Urbanas I

Os jovens tem uma incrível capacidade de se vislumbrar com tudo. Não era diferente com Porco, que acabara de começar a executar seus primeiros trabalhos autônomos. Um de seus clientes, pelo qual ele cobrava uma verdadeira pechincha por não ter experiência, iria realizar um coquetel de lançamento de seus catálogos e Porco, fornecedor que era, fora convidado a ir. Porco poderia levar quantos convidados quisesse, e isso o entusiasmou bastante. Resolveu chamar seus amigos, que o ajudavam em sua empreitada, afim de se passar por uma empresa de verdade, o que não o era. Chinchila era a mais presente deles, tomando frente de quase toda a produção que tinham. Como boa amiga que era, foi até o evento prestigiar Porco. No entando, enquanto seguia até o local marcado, Chinchila começa a passar mal. Mesmo assim, ela não desiste do trajeto. Como chegou cedo, ficou a esperar pelos outros, mas sua dor só aumentava. Quando Porco chegou ao local, Chinchila se retorcia e sentia uma enorme ância. Porco apenas pedia para que ela se segurasse, enquanto Cachorro, amigo de Porco, a socorria. Chinchila acabou por vomitar ali mesmo, na rua, enquanto Cachorro a ajudava a se reconstituir. Porco tentava se mostrar preocupado, mas sua reação era sempre a de que Chinchila deveria aguentar o quanto fosse, afim de não perder a noite. Já lá dentro, Chinchila senta sobre a mesa, pálida. Os convidados começam a chegar e as bebidas são servidas. Porco aconselha que Chinchila beba um pouco afim de melhorar sua palidez. Não demora muito e Chinchila começa a sentir ância novamente. Porco, já se mostrando irritado, ameaça Chinchila caso ela vomite na frente de todos. Ele não termina a frase, com a conclusão da ameaça, mas Chinchila entende e corre para o banheiro. Lá, Chinchila é confortada por Esquilo, amiga do grupo. Enquanto isso Porco é só sorrisos. Faz pose, se mostra para as promotoras e distribui cartões de visita. Já no coquetel, enquanto é servido os canapés, Cachorro e Esquilo não saem do lado de Chinchila, enquando Porco desfila pelo salão. Chinchila pede algumas vezes para ir embora, mas Porco repete o quanto é importante para os “negócios” sua estada lá. Por fim, Porco permanece no evento até o fechar das portas, enquanto Chinchila, quase sem forças, reluta para permanecer consciente. No dia seguinte, Chinchila fica de cama, se recuperando de seu estado doentio. Porco chega a se desculpar depois, mas sempre afirmando em como aquele dia era importante para ele. Pouco tempo depois, Porco já não trabalha mais para o tal cliente.

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