Ensaio sobre a velhice

Percebi uma coisa na Tv que ficou tão rotineira quanto o Big Brother. Os programas sobra Cirurgias Plásticas têm surgido aos montes e ganhado espaço na grade de programação. Esse sucesso todo é alimentado pelo desejo do cidadão comum em conseguir com pouco tempo e sem esforço o ideal de beleza. Tem de tudo um pouco: mães querendo endireitar o corpo “estragado” pela gravidez, patricinhas abastecendo seus reservatórios de silicone e senhoras endinheradas em busca da juventude eterna. Essa última categoria, em especial, é o motivo de toda minha reflexão.

Muitas pessoas podem achar futilidade colocar implantes nos seios. Mas e quando as primeiras rugas começam a aparecer? A passagem do tempo é cruel e não poupa ninguém, nem mesmo os agraciados com uma cutes de pêssego. Bem lá no fundo, até quem condena a prática da cirurgia plástica tem medo da velhice. E não há quem não sonhe com a fonte da juventude, prolongando em algumas décadas seu estado de vinte e poucos anos. Os cremes rejuvenecedores estão ai para quem tem medo de passar pela faca (Ruga é doença para ter tratamento?). As tinturas de cabelo também cumprem seu papel de omissão do tempo. O fato é que, para nós, a velhice é feia e significa desgaste.

Mas beleza está longe de ser algo absoluto. Vai de nossos interesses e de nossa vivência. Há quem diga que o padrão de beleza do homem das cavernas era de uma mulher gordinha e de ancas largas, simbolos de fertilidade. Não é estranho que hoje, quando o ser humano alcança cada vez mais longevidade diante dos avanços da medicina, os sinais da velhice ainda serem considerados sinais de incapacidade e abatimento? Agora imagine quanta gente acima dos 40 ( idade em que normalmente começam os primeiros sinais físicos da velhice) não realiza feitos impressionantes? Deviamos apreciar os pés-de-galinha como quem aprecia os traços de um desenho. Mas hoje isso é visto em nossa própria face com desprezo. Já virou piada o fato das pessoas esconderem a idade. É uma vergonha ser velho.

Uma resposta

  1. o que me deixa feliz é que toda essa oleosidade da minha pele que hoje resulta em espinhas mil, proteger-me-á das rugas precoces!

    viva a pele oleosa! viva! =]

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